sábado, 30 de agosto de 2008

Expedição Jalapão & Programa de Índio

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Expedição Jalapão & Programa de Índio

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Rota Del Sur 2005




De Brasília até Buenos Aires
02 Motos, 04 Aventureiros, 7.500km de estrada. Estes são alguns números da grande viagem empreendida no mês de julho, por dois motociclistas integrantes do Motoclube Águia Solitária de Brasília, Gilson e Glaucio (com suas respectivas esposas) de TDM 850 e Pegaso Aprilia 650.Saímos no inicio deste mês, rumo sul, com o objetivo de conhecer mais deste grande Brasil e adentrar um pouquito adelante pelos vizinhos Argentina e Uruguai.Partindo de Brasília, com direito a festa de boa viagem na casa dos Águias Lívia e Danilo, facção Goiânia, os intrépidos viajantes, começaram pelo sul de Goiás, Transbrasiliana BR-153. Eu disse BR? Tinha mais jeito de trilha de Rally! Continuando, atravessamos o oeste de Minas, São Paulo, entrando pelo Paraná. - Êta Brasilzão! - Chegando a Foz do Iguaçu, uma visitinha em Ciudade del Leste no Paraguai, era inevitável para comprar umas muabinhas e ainda um pulinho na hidrelétrica de Itaipu.
Tudo pronto para cruzar a fronteira, mas a Iara acabou perdendo a carteira de Identidade. Foi um problemão... Para entrar no país do tango, nós brasileiros necessitamos de passaporte ou carteira nacional de identidade. Foi um Deus nos acuda... veio o plano A, plano B, plano C... tentávamos solucionar o problema ou arranjar uma alternativa. Pensamos até em deixar a parte internacional da viagem para outra oportunidade, e, aproveitar o inverno na Serra Gaúcha, (esse era o plano D, eu acho) mas sabe como é que é: brasileiro não desiste! Acabamos sensibilizando o pessoal da Polícia Federal para a confecção de um passaporte em tempo relâmpago! Depois de mais uma manhã perdida na burocracia documental, fizemos nossos seguros obrigatórios (carta verde) e ficamos prontos para continuar.





Cruzamos a fronteira depois da 16:00h do dia 7 de julho. Aí foi um abraço... A paisagem, passando por Puerto Iguazu, vai mudando lentamente. A mata nativa esta mais preservada no lado Argentino. A vegetação é rica e exuberante no começo, mas vai cedendo lugar as florestas de pinos e eucaliptos. Há uma grande movimentação de caminhões com toras de madeira, mas não chega a atrapalhar na estrada, que, diga-se de passagem: É um tapete! O asfalto nem parece tão novo assim, mas a qualidade... Começamos também sentindo a diferença na gasolina, digo: nafta argentina, 100% “puríssima”, e bem mais barata que a nossa, (1,8 pesos + ou – 1,6 reais). Dormimos em Puerto Rico e tomamos nossa primeira garrafa de vinho (bom e barato = 7 pesos). Em Posadas a paisagem foi mudando para uma espécie de baixada com grandes áreas alagadas, rebanhos pastando e belos pássaros. Neste trecho, a boa gasolina argentina, pura até de mais... Acabou estragando um pequeno remendo que havia no tanque de gasolina da Aprilia. Com o vazamento de combustível tivemos que perder uma tarde até desmontar o tanque e veda-lo com a velha e boa durepox (poxilina em castelhano). Cruzamos o Rio Paraná em Corrientes e fomos dormir em Resistência.





Na manhã seguinte partimos para um trecho de 995 km até Buenos Aires. Claro que as mulheres nem imaginavam que ficariam de 8:00h da manhã até as 22:00h com sua bundas coladas nas garupas – COITADAS - nós, homens, não havíamos planejado a tortura, mas é que a estrada era tão boa... Aí agente foi rodando...rodando... Falando sério, esse trecho é um chapadão que não tem uma serra se quer. É uma reta só e na ultima parte é pista duplicada e com boa iluminação. Buenos Aires é uma linda cidade, muito grande e organizada. Tiramos o Domingo para passear a pé, metro e táxi que é bem barato. Para não me alongar muito, vou citar apenas a feira de San Telmo: é imperdível! Musica cultura, tango pelas ruas, artesanato, gente bonita e bem vestida... Atravessamos o delta do Prata de barco com as motos, no confortável Buquebus, um grande ferryboat com lojas e lanchonetes. Três horas depois aportamos em Colônia del Sacramento no Uruguai. Seguimos para Montevidéu, depois até Punta del este. Bela cidade litorânea. Muito chique, com cassinos bons restaurantes e hotéis. Passeamos pela grande marina e apreciamos gaivotas famintas e enormes lobos marinhos no pequeno cais. Continuamos a viagem rasgando pelas boas estradas Uruguaias. (cabe ressaltar que todas são à base de pedágio), mais é isso mesmo: quer rodar bem, não custa pagar. Porém, nós motociclistas somos isentos na maioria,(he he he), exceto no Paraná (e a estrada nem é tão boa...). Vai entender o Brasil... Concluindo, entramos de volta ao país pelo Chuí. Aí vieram a lindíssimas lagoas do Banhado do Tain no Rio Grande do Sul, depois Santa Catarina, Paraná, Sampa, (pela majestosa Ayanguera), até “Beraba, Berlândia”...Brasilia. Aí eu te pergunto: O que faz agente sair do conforto do nosso lar, enfrentando o vento frio, chuva, insolação, poeira, perigos inumeráveis em cima de uma motocicleta? Seria a sede por aventuras? A fome de ver e conquistar novos espaços? O ímpeto por testar nossa bravura e juventude? Confesso que ainda não sei. Então vou ter que rodar mais alguns milhares km de moto para descobrir... Haja bunda!